Demitam o cara da calça Diesel – bitpapo com Gus Bozzetti

Categorias: conversas, idéia idiota
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Escrito por: Secco

Sec2o:
domingão foi fértil para alguns raciocínios

Gus Bozzetti:
hehehe

Sec2o:
primeiro dei uma relida em alguns capítulos de Cibercultura do Levy
aí comecei a conectar alguns nós

Gus Bozzetti:
quisera ter tido tempo pra ler nesse findi

Sec2o:
no tempo da faculdade eu já tinha uma impressão bem clara
TODOS os meus colegas tinham a mesma formação
tinham acesso às coisas
a idade parecida
quase todos eram brancos
o que significa isso?
olha em volta de você aí e perceba
quem faz a comunicação-publicidade-mkt-seja lá qual for o nome
é um grupo homogêneo
e isso é muito foda
porque de cabeças quase iguais só pode sair coisas quase iguais

Gus Bozzetti:
é vero

Sec2o:
e daí vamos nos repetindo, repetindo e repetindo
o “bacana” é replicar a direção de arte do último filme cult
por exemplo

Gus Bozzetti:
mas acho que ainda existe uma outra coisa consequencia disso

Sec2o:
diga

Gus Bozzetti:
é que fica difícil pra ti fazer coisas diferentes também, pois as pessoas esperam que tu faça coisas iguais

Sec2o:
sim sim
concordo
é um sistema fechado

Gus Bozzetti:
se eu apresentar uma idéia que fuja dos parametros pré-estabelecidos é um passo forte pra ela não ser aprovada

Sec2o:
exato
neste sistema, já nasce morta
ou abortam na primeira semana (minutos) de gestação
agora vamos colocar outra questão em perspectiva

Gus Bozzetti:
agora tu imagina tentar apresentar uma idéia diferente e com todas as interações possíveis pela internet
qual questão

Sec2o:
a gente, como é normal dizer, vende o nosso corpinho, certo?
falamos de um produto ou marca sem consumi-lo( a)
sem sequer curtir o produto
afinal, é nosso trabalho

Gus Bozzetti:
Ok

Sec2o:
e isso também faz parte do sistema
são pessoas pasteurizadas que constróem a imagem de marcas e produtos
uma sacada ali, outra acolá, pra tentar fazer algo novo, ou se der, pela primeira vez em algum quesito.

Gus Bozzetti:
Sim sim

Sec2o:
agora vamos acrescentar o ingrediente final para a nova receita

Gus Bozzetti:
fermento?

Sec2o:
o que temos visto nos últimos 3 anos?
pode ser fermento, mas eu acho que precisamos de novos cozinheiros

Gus Bozzetti:
Boa

Sec2o:
temos visto as marcas perceberem que o CONSUMIDOR – aquele que realmente usa e alguns AMAM os produtos – são o grande centro da questão
daí surgem concursos idiotas (ou não) para criarem vídeos, frases, seja-lá-o-que-for
agora chegamos ao ponto de botar a massa no forno
e te pergunto

Gus Bozzetti:
tipo o da doritos

Sec2o:
isso
não está na hora de termos uma “agência” constituída de consumidores
quem pode construir a melhor forma de distribuição
a melhor mensagem

Gus Bozzetti:
participando ativamente da parte criativa?

Sec2o:
de TUDO
o que nós, pasteurizados, e formados faremos é organizar isso
ajudá-los a formatar
mas eu não teria uma empresa de 100 – 200 pessoas
eu teria uma empresa de 5 mil colaboradores
brifando e sendo brifado

Gus Bozzetti:
pois é…
mas como tu remunera essas pessoas

Sec2o:
construindo do início ao fim

Gus Bozzetti:
?

Sec2o:

pagando
dinheiro

Gus Bozzetti:
e como tu define o que é válido do que é ruim?

Sec2o:
ruim pra quem?
aí que está
para Cannes ou para os consumidores do morro e da Zona norte?

Gus Bozzetti:
para os consumidores mesmo

Sec2o:
exatamente, eles
mas não me entenda mal
não vamos simplesmente passar o bastão para eles

Gus Bozzetti:
pq no momento em que tu inclui o cara no sistema, ele vai querer se parecer com o sistema e não com o que ele é realmente
vai querer por tênis puma e calça diesel

Sec2o:
aí fudeu
tá demitido

Gus Bozzetti:
Hahaha

Sec2o:
se aparecer de calça Diesel … RU-A

Gus Bozzetti:
o que eu acho é que cada vez mais devemos nos aproximar dos consumidores, até ter um conselho se for o caso… ver o que funciona ou não… mas de qualquer forma, teríamos que continuar com as rédeas do processo

Sec2o:
Exatamente

Gus Bozzetti:
uma idéia cannes, nem sempre é boa para o consumidor final, mas uma idéia bem feita para esse consumidor, certamente dará uma bela peça em cannes

Sec2o:
eu acho complicado achar um ilustrador bacana por aí, por exemplo
um cameram, etc
não é isso

Gus Bozzetti:
vou te passar meu flickr
hahahahaha

Sec2o:
hehehehe
o que penso é mudar Copernicamente a visão do “quem diz o que e para quem diz”

Gus Bozzetti:
isso sim
consumidor falando com consumidor

Sec2o:
pq meia dúzia vão decidir o que milhões vão ver, ouvir e interagir?
no tempo da TV isso era razoável
hoje não dá mais

Gus Bozzetti:
realmente

Sec2o:
e aí que voltamos ao tio Levy
na inteligência coletiva, não pode existir um moderador, um editor-chefe
senão não é inteligência coletiva
é claro que tem um que de utopia nisso que ele fala

Gus Bozzetti:
ela é espontânea

Sec2o:
não dá para deixar acontecer
mas a DISCUSSÃO é mais forte que o DISCURSO
temos que escrever isso e ler ao acordar todas as manhãs
é mais importante discutir que ser ouvido (obedecido)
e nós, publicitários (etc), não sabemos fazer de outra forma

Gus Bozzetti:
acho que aí temos o probelma

Sec2o:
aí temos a solução
hehehehe

Gus Bozzetti:
pq na real, já não temos mais o poder que tínhamos ( e achamos que temos),
a coisa já está na mão do consumidor
o que não sabemos é como usar isso a nosso favor

Sec2o:
bingo
o que eu estou falando não é nenhuma novidade

Gus Bozzetti:
continuamos querendo direcionar o pensamento dele para ser igual ao nosso, ao invés de pegar o pensamento coletivo e incorporá-lo as nossas idéias

Sec2o:
a novidade seria usar isso escancaradamente
nevralgicamente

Gus Bozzetti:
e como seria isso?

Sec2o:
ué, abrindo as portas da agência pra essa gente e mandando um pessoal de calça Diesel pra casa

Gus Bozzetti:
não acredito nisso
não sei por que
mas acho que não é esse o caminho
na verdade acho que o consumidor faz a parte dele como já está fazendo e vai fazer cada vez mais

Sec2o:
diga lá

Gus Bozzetti:
participando de redes sociais, interagindo na internet
o que eu acho é que nós temos que parar de querer enrolar o consumidor
temos que ser mais honestos que nunca
e nossos clientes precisam ter produtos realmnte relevantes

Sec2o:
ixe, Gus

Gus Bozzetti:
pq assim eles serão bem vistos pelos consumidores e o boca-a-boca informal é a melhor propaganda

Sec2o:
note que você falou em – nós, eles (o consumidor) e ele (o cliente)
aí fudeu, me entende?
este produto tem que ser feito pelo/para o consumidor e com a nossa ajuda

Gus Bozzetti:
acho que o consumidor tem um poder muito maior hoje do que tinha há algum tempo atrás… ele pode fazer mudanças significativas na maneira das empresas pensarem

Sec2o:
sim, já está fazendo
não podemos mais ter estas barreiras

Gus Bozzetti:
beleza, mas tu não precisa colocar um magrão na fábrica pra fazer um desodorante pra ele…. tu sabes fazer o desodorante…

Sec2o:
me entende?

Gus Bozzetti:
Sim sim
só acho que cada um no seu quadrado

Sec2o:
claro, cada um sabe fazer uma parte
mas as partes estão longe demais

Gus Bozzetti:
isso sim

Sec2o:
mas o pior

Gus Bozzetti:
ainda criamos olhando propaganda e não olhando o consumidor

Sec2o:
são como água e óleo
a padre chagas e o partenon estão muito longe
muuuuuito

Gus Bozzetti:
como se nós soubéssemos o que eles precisam
como se ser padre chagas fosse a solução para toda a cidade

Sec2o:
imagina só, a cidade toda chique

Gus Bozzetti:
que medo
eu ia ter que me mudar

Sec2o:
mas é isso que o publicitário tem na cabeça

Gus Bozzetti:
concordo plenamente

Sec2o:
e isso se agrava quando a gente trabalha com internet e redes sociais
aí sim, chega a dar medo

Gus Bozzetti:
mas acho que o movimento é o contrário do que o que tu sugeres…
vamos lá… pensando menos do que eu escrevo, mas acho que tem base
acho que ao invés de trazer o consumidor pra agência, deveríamos levar a agência pra rua

Sec2o:
opa, claro

Gus Bozzetti:
deveríamos criar longe do ambiente de trabalho e próximo do ambiente do consumidor

Sec2o:
mas eu te disse que esta nova empresa tinha sede no Moinhos?
não ne?

Gus Bozzetti:
próximo da realidade
HAHAHAHA
certo

Sec2o:
óbvio que não
vamos pensar no PDF (sic) dentro da padoca
no boteco

Gus Bozzetti:
isso

Sec2o:
falando com o cliente que vai lá todo dia
lá que estão as grandes idéias

Gus Bozzetti:
alguns dos melhores trabalhos que eu fiz, fiz assim

Sec2o:
PDV (sorry)
é a mania da internet, heeheheh

Gus Bozzetti:
várias reuniões de pauta da TRIp a gente fazia na padoca
hehehehe

Sec2o:
mas padoca em SP é lugar comum tb ne?
hehehehe

Gus Bozzetti:
pegava o assunto do tiozinho do balcão e levava ele ao máximo
nosso trabalho é esse na real

Sec2o:
isso aí
a gente é um mero intermediário
e olha que a Dell “cut out the middle man”

Gus Bozzetti:
pegar a idéa que faz parte da vida do consumidor e elevá-la a um patamar que ele não imaginou, mas com o qual ele se identifica
misturar a realidade com o desejo

Sec2o:
sim, a fantasia é parte do negócio
tudo impecável, bem produzido
não vejo o caminho do AMADOR como algo perene
não é isso

Gus Bozzetti:
mas tem que ser real

Sec2o:
real é uma palavra filha da puta
tem que ser VERDADEIRO

Gus Bozzetti:
ok

Sec2o:
prefiro assim

Gus Bozzetti:
tangível
crível

Sec2o:
mas pode ser um sonho

Gus Bozzetti:
próximo
claro

Sec2o:
por exemplo, pouco tangível

Gus Bozzetti:
mas um sonho que eu possa sonhar

Sec2o:
mas que reflita algo de verdadeiro naquele público

Gus Bozzetti:
exato
não vou pegar três gostosas com um copo de cerveja, mas eu gostaria que isso acontecesse

Sec2o:
hehehehhe
isso é uma piada
é incrível como ela possa se sustentar

Gus Bozzetti:
hahahaha

Sec2o:
na real, só se sustenta porque todo mundo quer ver uma mina gostosa
todos os homens

Gus Bozzetti:
e o mundo é machista pra caralho

Sec2o:
mas mesmo que a cerveja seja consumida por mulheres?

Gus Bozzetti:
sim

Sec2o:
nem dá pra comentar né?
o Prêmio Colunistas tá usando isso, inclusive
uma loira peituda segurando uma gelada

Gus Bozzetti:
sabe que quando eu trabalhava na tpm fizemos uma pesquisa e as mulheres preferiam, num contingente esmagador, ver mulheres na capa da revista do que homens
elas querem se identificar e se projetar

Sec2o:
sim, e é por isso que elas se arrumam
não para os caras, mas para outras

Gus Bozzetti:
é uma maneira diferente de ver do olhar masculino, que é eu quero desejar

Sec2o:
é triste saber disso
hehehehe

Gus Bozzetti:
claro
hehe

Sec2o:
mas o recado do bitpapo é bem claro não acha?

Gus Bozzetti:
sim

Sec2o:
precisamos de cabeças heterogêneas e identificadas com as marcas
ir pra rua
trazer o consumidor pra dentro da agência e da empresa

Gus Bozzetti:
certo

Sec2o:
(e levar a agencia pro chão de fábrica, nem se fala)

Gus Bozzetti:
isso demorou, né?
mas até já tem bastante gente nesse nível
o problema maior é o consumidor mesmo
as realidades são muito distantes

Sec2o:
e se alguém um dia abrir um negócio (agência) baseada nisso, eu não vou me surpreender
vou dizer, viu, eu já sabia

Gus Bozzetti:
hehehe

Dito isso, chegou a hora de você meter a sua colher no angu e botar fogo na discussão. Ou vai ficar aí estagnado, feito um dois de paus?


Um pouco mais sobre o papo



25 Comentários para “Demitam o cara da calça Diesel – bitpapo com Gus Bozzetti”

  1. Franco Rosário disse:

    Vejam http://www.sociale.com.br. E outros sites como BootB, CrowdSpring, 99designs…

  2. Gustavo Rodrigues disse:

    Vou comentar sobre 2 partes desta enorme conversa:

    Quanto a ser real ou crível: Acho que ficaria meio chato pro público de massa. Senão cinema francês faria mais sucesso que os de hollywood :)

    Quanto a realidade do cliente e do consumidor estar mais próxima da realidade do negócio:

    Poucas agências comunicam pro negócio do cliente. A maioria faz propaganda pra agradar o marketing do cliente :)
    Além disso, existe um vácuo enorme entre o planejamento da agência e os outros setores (criação, mídia e atendimento). Imagina-se então o tamanho do gap lá do cara que cria o anúncio até o negócio a ser potencializado com a propaganda.

  3. Wander disse:

    Bacana você citar o Pierre Levy e falar Cybercultura na rua.
    Vejo muitas discussões (como esta por exemplo) acontecendo no meio digital e fico a pensar se elas não deveriam ir pra rua.
    Na verdade, só muda o meio. A mensagem prevalece. A interatividade acontece entre pessoas e o resultado deve ser aproveitado para a mudança.
    Gosto desse livro e concordo com muito do que ele diz, muita coisa de fato aconteceu e muitas mudanças estão por vir não apenas no mercado, não só nas empresas. Não vou adotar um discurso 2.0 e falar da tecnologia na vida das pessoas, acho que tem algo mais polêmico pra pôr em pauta e o Levy falou disso no fim do livro. O modelo acadêmico. Acho que muitas mudanças começam na escola e questiono sua eficiência (da escola) na atualidade. Se essas mudanças todas estão pra acontecer, se a agência precisa ir pra rua, se o cliente precisa entrar na agência, se as idéias devem ir para o chão de fábrica… por onde começar? Onde deveríamos plantar essas idéias? Temos que esperar nascer uma agência assim? Será que algum cliente aceitaria uma metodologia como essa? Como diria um redator daqui da agência: POLÊÊÊMICO…

  4. Guilherme Nascimento Valadares disse:

    Papo enorme, com vários ganchos e muito da realidade pasteurizada que o mundo “cool” da publicidade enfrenta.

    Gosto da parte em que se fala sobre incorporar o coletivo dentro do que é produzido pelas agências. De cara me vêem coisas como Camiseteria e outras iniciativas na área de social.

    Em seguida, o Gus complementa que devemos ser mais honestos do que nunca, o que é um ponto pacífico já, quem pensar em fazer diferente vai tomar na cabeça.

    Agora o que realmente sinto falta são de projetos e pensamentos mais independentes, mais livres, mais “punks”, na falta de uma expressão melhor.

    No ritmo de trabalho absurdo que vivemos hoje, ninguém quer gastar energia com nada fora do padrão, que vai custar preciosas horas de trabalho e ainda arriscar a reputação.

    Méritos pra iniciativas como a do Google, que dá aos funcionários 20% do tempo livre para pirar nas idéias mais insanas. Enquanto isso sigo usando minhas calças jeans. Hering.

  5. Guilherme Land disse:

    As agências só vão mudar quando os clientes aprenderem a cobrar mudanças e até cortar o “middle man”. Mas poucos atingem a iluminação, por exemplo o Sr. Gerente de Produto da Blendtech….

  6. Secco disse:

    Franco, o modelo da Sociale continua sendo feito por “tecnólogos” formados em faculdades de comunicação e afins.

    O que muda é a forma de contratação.

    Estamos propondo algo que venha da, assim citada, “massa.”

  7. keid disse:

    eu e Amaral temos pensado muito sobre isso, Secco. mas, infelizmente, para além da crise de identidade nessa indústria que escolhemos ganhar a vida, a última coisa que eu contaria seria com o savoir faire do consumidor (que é inexistente).

  8. Secco disse:

    pois eu reforço a minha fé nisso.
    não como “camera man”, como disse. não é da parte técnica que sinto falta.

    mas como peça-chave no processo todo, especialmente quando produzimos projetos colaborativos, que são a base da internet.

  9. rafael apocalypse disse:

    Bom, confesso que chutei o balde na metade do texto, pelo tamanho, principalmente, e pela falta de tempo pra ler tanto durante o dia…

    Mas uma coisa me chamou a atenção, trazer o consumidor pra dentro da agência, afim de melhorar a comunicação com eles, é feito há anos, chama-se pesquisa e focus-group. E é a única forma de se fazer isso, ou imagina que para conta que a agência tem ela deveria contratar x consumidores do cliente — insanity –

    Outro comentário, já baseado no comentário acima do Gustavo, “Poucas agências comunicam pro negócio do cliente. A maioria faz propaganda pra agradar o marketing do cliente” imho faltam culhoes no atendimento, na criação e aos donos de agências. Sim eu já perdi vários clientes porque discordei do mkt ou do dono da empresa, e sim eu já deixei de assinar trabalhos porque quando chega a fase de aprovações o cliente muda o discurso e passa a optar pelo gosto pessoal.

    Enquanto nos submetermos a isso temos o problema, mas quando nos ‘rebelar-mos’ e passarmos a bater o pé no conceito, e mandar o gosto pessoal do mkt/cliente às favas, passaremos a ter outro problema: Como pagar as contas!

  10. Secco disse:

    Rafael, realmente o papo ficou um pouco longo e hoje em dia nos falta tempo para tudo.

    Já acompanhei pesquisas e focus group e o seu papel nunca ultrapassa o de um mero “aceite” que na melhor das hipóteses traz alguns inputs. O focus group sobretudo é constrangedor e quando o cara é pago para falar fica ainda mais difícil de saber se aquilo é o que a pessoa faz realmente ou se simplesmente tá falando para parecer legal (ou não, pois sempre tem um chato no meio) perante o grupo.

    Agora uma equipe bem selecionada e que vive os problemas do cliente certamente trará respostas e perguntas mais concretas.

    Sobre o cliente. Cada um tem o cliente que merece, e vice-e-versa.

  11. Carol Rosado disse:

    Tenho lido bastante alguns artigos dos chamados “pós-modernos” do mkt … enfim uma nova corrente teórica do mkt q está contestando alguns conceitos bastante enraizados na cultura do mkt q sempre seguiu paradigmas da cultura americana.
    Bom, esses caras estão dividindo o mkt em três fases. a primeira, a preocupação era vender qq coisa, td q era produzido deveria ser vendido … por isso, a raiz entre comércio e mkt. A segunda fase … as empresas escutavam os clientes por meio de focus groups e surveys … e a prometida terceira fase … os clientes constroem o valor junto com as empresas. então, eu não pergunto mais aos clientes … os clientes fazem junto comigo. se o cliente era escutado em um focus group … hj é um membro efetivo do grupo de desenvolvimento da empresa.
    agora, estou me dedicando a testar isso na prática … estou entrevistando gerentes de p& d de empresas da região sul do país … para saber como os consumidores são envolvidos … estão na pesquisa empresas como Calçados Bibi, Neugebauer, Grendene, Brastemp, Boticário, Karsten … enfim, está sendo interessante.
    Quem se interessar pelo assunto, sugiro procurar publicações de Lusch, Vargo, Penaloza, Groons… os novos teóricos do MKT.

  12. Secco disse:

    Gripe diz:
    varias replicas
    na real o assunto tem 5 assuntos

    Secco procura Pattydiphusa diz:
    hehehee

    Gripe diz:
    e dai cada um fala da parte que mais interessa
    hehe

    Secco procura Pattydiphusa diz:
    exato
    mas tem um pano de fundo
    que é o seguinte
    a gente – publicitários e afim – temos competência para esta nova era na comunicação?
    o que precisamos mudar
    o que precisamos aperfeiçoar

    Gripe diz:
    certo
    Secco procura Pattydiphusa diz:
    o que precisamos manter

    Gripe diz:
    é isso mesmo, essa é a raiz do assunto
    e acho que o povo de pesquisa acabou saindo na frente nessa corrida
    usando a pesquisa como inteligência necessária para o desenvolvimento

    Secco procura Pattydiphusa diz:
    bem, o google fez tudo a partir da pesquisa
    hehehehe

    Gripe diz:
    :)

  13. Secco disse:

    Carolina diz:
    Oi, Secco!
    estou pesquisando justamente esse assunto

    Secco diz:
    opa
    serio?

    Carolina diz:
    sim
    dei uma resumida lá no blog

    Secco diz:
    ótimo entao

    Carolina diz:
    depois posso te enviar algumas coisas

    Secco diz:
    to lendo lá
    sensacional
    sabia que alguma alma ia me entender
    hehehehe
    o bitpapo está aberto para uma série de posts teus, se quiser espaço

    Carolina diz:
    secco sempre up-to-date!!!
    essa discussão tá bombando na academia de mkt!!!

    Secco diz:
    hehehehe
    legal saber
    quem sabe isso me motive a estudar de novo
    não aguentava as citações a Kotler

    Carolina diz:
    sim
    esses caras colocando Kotler no chinelo
    dizem q isso é passado
    q o mkt precisa avançar

    Secco diz:
    entao já sou fã deles

    Carolina diz:
    sim … eu coloco coraçõezinhos com os nomes de Lusch e Vargo … hahahahaha

    Secco diz:
    muito bom, vou procurá-los entao
    e aguardo algo mais denso teu para um post
    topa?

    Carolina diz:
    sim … tenho um caminhão de coisas sobre isso
    mas dá uma decepção ao chegar nas empresas
    tenho viajado direto p/ sc e pr
    e vejo como o pessoal ainda sofre
    acham focus group o máximo

    Secco diz:
    pois é

  14. Carol Rosado disse:

    bom … aos poucos vou lembrando de outras coisas … a idéia mesmo de trocar a lógica de coletar para uma lógica de interação … de caminho com duas mãos …(ida e volta)
    Na última década, o tema envolvimento de clientes em processos de desenvolvimento de produtos e serviços tem se ampliado para a discussão da co-produção de valor. A essência desta discussão está no papel do cliente como co-produtor de valor em todos os momentos de interação com a empresa. Desde a geração de novas idéias, design do produto, teste de funcionalidades, se estendendo até o consumo. A lógica de gerar informações de mercado através da coleta de informações passa a se transformar em uma lógica de interação com o mercado.

  15. Rafael Ziggy disse:

    Sabemos que essa aproximação já está acontecendo, enfim as mídias sociais estão aí pra isso. A dificuldade tá em o publicitário filtrar esses desabafos cotidianos das redes e transformar em um discursso realmente interessante para o público final.

    A maneira mais mensurável de fazer essa aproximação do cliente com a agência acontecer é através de ferramentas. Como você disse, o Google tá fazendo isso. Foi lá deu algo útil em troca dos teus dados pra prover serviços à empresas que querem se comunicar de maneira mais direta com um determinado perfil de público.

    No caso de chamar o consumidor pra criar junto o desafio é fazer que isso seja natural. A partir do momento que você chama o cara para fazer algo para determinada empresa fica um clima meio “estou sendo pago pra fazer algo por eles”. O pensamento muda, não rola a mesma liberdade que teria em um ambiente descontraído onde a pessoa se encontra com os seus conhecidos e sem censura nenhuma fala o que vem à cabeça. É o que querendo ou não, acontece com o focus group.

    E cá pra nós, o consumidor tá realmente interessado em ajudar? Ele quer o melhor produto, mas é o seguinte: se vira. Se você não fizer melhor vou atrás do outro que conseguiu, tenho mais o que fazer. O máximo que ele faz por você é dizer o que gosta e não gosta em você. Aí cabe ao fabricante saber o que fazer com essa informação.

    E aí vem o problema da agência, com seus vícios, manias e perfis pasteurizados, não conseguirem dar um direcionamento realmente relevante para o público-final.

    Outra questão que levanto é que dentro do cliente também temos esse “perfil padrão” de pessoas. O pessoal que ao invés da calça Diesel prefere o terno Armani. É mais uma barreira, o conflito vai além das grifes.

    Enquanto isso o consumidor tá lá, esperando os dois se entenderem para finalmente ser entendido.

  16. yentl delanhesi disse:

    bah, secco. o pessoal aqui tá me dando uma super força emocional pra eu não me decepcionar com o mundo (quando vemos resultados de pesquisas ou coisas que não deveriam ser medidas sendo quantificadas).
    hehe
    acho que a essência de toda essa discussão ainda está na relação – hoje não saudável – do 1 pra 1; na diferença entre o discurso e o diálogo.
    a dificuldade em não reconhecer o que o consumidor realmente deseja não está no método, nem no meio, nem no organograma de uma empresa. tá na falta de diálogo, de realmente escutar.
    a gente não escuta como deveria. o momento do outro falar parece mais uma pausa rápida pra gente tentar formular um outro argumento pra convencê-lo do que a gente quer que ele fale…
    falta costurar os discursos… é isso que gera coisas novas, estéticas novas, sabores novos.

    e, claro, as pessoas nunca falam o que realmente querem. porque não querem ou porque não sabem.

    e mesmo colocando minha vó pra ajudar a criar uma nova versão do veja multi-uso, ela não teria habilidade pra falar ou pra colocar em palavras as idéias que tem. por isso a profissionalização: quem é comunicador deve saber canalizar e materializar idéias em alguma linguagem que seja compreensível (pra massa ou pros colegas de agência aprovarem)

    taí a web pra permitir que os habilidosos formados ou não ajudem nessa materialização.

  17. Franco Rosário disse:

    Oi Secco, na verdade na Sociale qualquer pessoa pode se cadastrar como colaborador para prestar serviços de criação de materiais publicitários, mas até agora apenas profissionais ou técnicos o fazem. Afinal, é preciso algum conhecimento específico para o trabalho.

  18. Secco disse:

    É uma espécie de marketplace, certo? A idéia é interessante, válida, mas um pouco distante do que estamos propondo. A não ser que esta plataforma seja utilizada para tal fim. A idéia é de uma interferência efetiva do consumidor como consultor, produtor, editor, etc.

    Abs e continue colaborando

  19. Gisele disse:

    Pois é, todos com um discurso bem lindo, mas ainda falando em “consumidor”. A palavra já está cheia de significados e não combina com o que estão querendo dizer.

    Pode-se começar abolindo o termo.

    E Lévy tá fora de moda, o cara da vez é o Henry Jenkins, do MIT. Procure pelo Convergence Culture. Vais gostar da cultura participatória de que ele fala.

  20. Secco disse:

    Gi, parece uma dica quente mesmo – trecho que peguei no blog do Jerkins.
    http://www.henryjenkins.org/

    “We are seeing enormous experimentation into the potential intersections between commercial and grassroots culture and about the power of living within a networked society. At the same time, the media industries are struggling to keep up with these changes, issuing contradictory responses out of different divisions within the same companies. Convergence Culture was designed as a public intervention into this situation, trying to help both consumers and producers understand the changes which are occurring in their relationship.”

    Vou procurar o livro do cara. valeu

  21. Leo disse:

    Secco, eu digo que, metaforicamente, eu apóio totalmente a sua idéia de demitir o cara da calça Diesel e botar o consumidor pra meter a mão na massa. É preciso tirar a prepotência pseudo-vanguardista das agências de propaganda e fazer os caras pisarem no chão. É fato que a publicidade precisa compreender melhor o público.

    Num sentido mais prático, não metafórico, o envolvimento do cliente na construção dos produtos está previsto nos fundamentos do marketing de relacionamento. Ao contrário do que muitos pensam, nessa modalidade de marketing, tão importante quanto o cliente se manter fiel à marca, é o diálogo que eles estabelecem, no sentido de fortalecer a relação e, consequentemente a empresa. É muito comum em programas de relacionamento fortes no exterior que a empresa tenha um contato periódico com seus clientes fiéis para coleta de informações, que serão utilizadas tanto no fortalecimento da marca, quanto na criação de novos produtos.

    Quanto à comunicação, acho que a questão se volta muito mais para uma renovação do olhar publicitário sobre o público e os movimentos sociais, do que para a absorção do consumidor como criadores de propaganda. E mesmo uma revisão do papel do publicitário na história toda. O publicitário precisa entender que ele não é um criador de tendências, mas um analista especializado em identificá-las em sua multiplicidade para utilizá-las no sentido de criar identificação entre marcas e consumidores.

    Quando o publicitário (esteja ele nas empresas ou nas agências) entender que ele não impõe o consumo, mas que se apropria de elementos fornecidos pela sociedade para estimulá-lo, já terá sido um passo enorme.

  22. gustavo fischer disse:

    excelente discussão.
    para tentar não repetir ou redundar:

    - Internet serviu para provar para a propaganda o que ela já deveria saber antes da Internet: conversation, conversation, conversation. As conversações já aconteciam na oxigeniosfera, no corredorsfera, na sala-de-espera-osfera.
    - As conversações ganham materialidade nas interfaces. Ao ganharem materialidade, aproximam-se do fazer comunicacional (grafismos, textos, títulos, vídeos, áudios, etc)
    - Do outro lado, vem o Midião dizendo “olha lá, outro lugar para botar o jornal, a tv, o rádio, etc, etc” Chama a agência e vamos ver o que dá pra fazer lá de anúncio.

    - E aí se faz a pororoca: bottom-up/top-down. Pororoca essa que já acontecia de forma talvez menos intensa e espasmódica na cultura pré-web (ver documentário “Hype” sobre o grunge ganhando status de mainstream).

    - A pororoca é saudável, mas também é causa mortis pra os dois lados que a compõem.

    Então a minha proposta é mais no seguinte sentido:
    - Não vamos despedir o cara da calça diesel, vamos despí-lo (metaforicamente!) para que ele saiba vestir-se a partir das conversações que ele aprender a participar.

    enfim, fico por aqui por enquanto.

  23. Fábio Resende disse:

    fabio.a.resende: Cara. Acho que um ponto que falta naquela discussão é: Publicidade, não jornalismo.

    Publicidade hoje é para criar demanda. Vende o que tem melhor comunicação. Não o melhor produto.

    Infelizmente, qualidade de produto ficou sendo um critério impossível no mundo de hoje.

    Por outro lado tem toda a questão de excesso de opções (vide Barry Scwatrz e Paradox of choice). No fim de tudo, um produto precisa se destacar dos outros. E o jeito mais rápido de isso acontecer são com os “vícios” e “macetes” que estão na moda.

    Publicidade hoje é manipulação do inconsciente. É gerar discussão e demanda, e alguns meses depois lançar o produto. É criar um mercado para um produto que ninguém sabia que precisava.

    Por esse lado, acho que infelizmente crowdsourcing não funciona tão bem. Acho que crowdsourcing funciona para produtos que já estão no mercado. Para entender melhor que caminho levar para esses produtos.

    Mas e o leite em pó que é feito para crianças de 1 a 3 anos? Como convencer as mães que esse produto existe? E que é melhor que um outro produto? Como explicar que algo que não tem benefício aparente é melhor para o filho dela? Isso é gerar demanda. E você acha que o público geral vai conseguir fazer isso? Crowdsourcing funciona para estratégia de marca?

    secco: não tenho dúvida de que funciona
    note que várias marcas, especialmente, as que lidam com a mulher-mãe-trabalhadora estão colocando elas como protagonistas

    fabio.a.resende: Eu acho que funciona num mundo bom.
    Num lugar onde produtos ruins não são vendidos

    secco: o produto ser “ruim” é o primeiro desafio/oportunidade para este tipo de abordagem
    daí a participação do consumidor é obrigatória, deixa até de ser acessório

    fabio.a.resende: Sei lá. Não sei se o público em geral tem sangue frio pra vender uma coisa na qual eles não acreditam

    secco: opa
    claro que nao
    pensa comigo
    um grupo grande de consumidores
    que vão participar desde a concepção do próprio produto
    não é simplesmente chamar o cara na hora do briefing da campanha
    aí que está a radicalidade da coisa

    fabio.a.resende: Sim. Acho que funciona como proposta para um mundo melhor. Sem dúvida.
    Mas no mercado real, sempre tem alguém com um caminhão de dinheiro, que quer copiar a idéia de um produto, fazer mais barato na china e vender como melhor ;)

    secco: opa, claro
    o mundo é plano, mas não é igual para todos

    fabio.a.resende: Eu acho sim pode funcionar. Mas acho que o princípio da publicidade é em vender produtos piores como se fossem melhores
    (sim, sou cético pra caramba)

    secco: putz
    mas isso é uma realidade em vários lugares
    o marketing cria um produto cheio de erros e chama a agência para deixar aquilo legalzinho
    isso é o que mais acontece
    a agência tá cheia de pauta, cheia de contas pra pagar

    fabio.a.resende: Sim. Foda

    secco: propõe algo (que ela entende massa) e o cliente
    vai mudando, mudando
    até ficar algo tão ruim quanto o produto original

  24. Leo Pinho disse:

    Esclarecendo um ponto (que eu achei que tinha conseguido deixar claro): quando metaforicamente digo que temos que demitir o cara da calça diesel e fazer com que o consumidor ponha a mão na massa, digo justamente o que foi dito pelo Gus Fischer: é preciso que o publicitário se desprenda dessa roupagem/ postura / esteriótipo para poder assumir seu papel de analista de perfis e entender melhor não só a cabeça do público que se espera atingir, mas os ambientes (reais e virtuais) pelos quais ele trafega.

  25. Secco disse:

    Leo, certamente falamos DEMITIR metaforicamente.

    Não passa pela minha cabeça tirar um cara formado e colocar um operário no lugar dele, por exemplo.

    O que este cara – e a gente tb – precisa é de uma BOA reciclagem.

Metendo mais lenha na fogueira.


One Question Interview