Sep 29, 2008
Futuro do que chamamos interface, por Gustavo Gripe
Categorias: inovação, trends
Tags: fim do mouse, interface, touch screen
Escrito por: gripe
Acredito que todos estão sabendo sobre este assunto do sumiço das abelhas. Parece que 1/3 delas desapareceram e pesquisadores não sabem nem sequer para onde elas foram. A Häagen-Dazs fez inclusive uma ação alertando o mundo sobre isso (se quiserem ver mais: Häagen-Dazs – Help the Honey Bees). Quando ouvi essa notícia comecei a pensar como é pesquisar uma comunidade e como os pesquisadores chegam a conclusões analisando os hábitos. Nesse momento pensei em algo bem loco: E se fossemos pesquisados por alguém que nos visse de longe.
Muitos dos nossos hábitos são facilmente compreensíveis, porém fiquei pensando em alguns que não fariam sentido pra ninguém que visse de fora. Um dos exemplos seria pessoas dando uma corrida na volta de um parque. Imaginem isso visto de cima e anotado no diário de um pesquisador:
“.. usam máquinas movidas a combustão com velocidade aproximadamente 5 vezes mais altas do que conseguem se locomover com o próprio corpo. Algumas vezes usam estas máquinas para ir a lugares com natureza rodeada de concreto. Chegando lá, deixam a máquina desligada num canto e se põe a correr em círculos sem um objetivo claro. Quando não conseguem mais correr, voltam para suas máquinas e retornam para casa…”
Continuando a imaginar o diário, penso o que seria escrito sobre trabalhar em computador.
“.. sentados todos um ao lado dos outros, pressionam um pequeno tabuleiro e movem uma espécie de sabonete enquanto olham para uma caixa que emite luz. Alguns ficam rindo, outros muito bravos. As vezes os mesmos que estavam rindo ficam muito irritados em questão de segundos sem que nada aconteça a sua volta nem ninguém fale nada. Algumas vezes ainda, sem falar uma só palavra com com quem está do seu lado, se levantam juntos para ir em locais que servem comida para todos…”
Falei isso tudo para introduzir algo que venho pensando a tempos: Nossa maneira de trabalhar, fisicamente, se nivelou muito depois da chegada do computador.
Independente da nossa atividade, sejam burocratas, de pesquisadores, advogados ou designers, usamos as mesmas maneiras de interagir com o computador: Um teclado e um mouse. Existem as tablets também, porém são mais raras. Mais raras ainda são as telas que se pode interagir com uma caneta, mas poderia chutar de 99% das pessoas trabalham com as mesmas duas ferramentas a pelo menos 15 anos: Mouse e teclado.

Na minha visão isso aconteceu no momento que foi preciso formatar o “personal computer” como um produto. Algum padrão deveria existir e por muito tempo não se questionou isso. Pelo visto aprender a lidar com os softwares pareciam tarefas bem mais importante num momento de adaptação com esta nova “ferramenta” de trabalho.
Acredito que nosso prazo de adaptação expirou. Chegamos numa fase que a experiência de usar um computador vai ficar maior do que o mouse e o teclado proporcionam e precisarmos então que as interfaces evoluam.
Pensei então e listei algumas maneiras que isso poderia acontecer. Já tratei de destruir a idéia para não querer parecer visionário.
1. A mais óbvia do momento e que a HP até lançou já: Monitor touchscreen (www.psyop.tv/hp) . É um grande iPhone. Super impressionante e soa muito mais legal do que usar mouse e teclado, mas será que não é cansativo? Imagina você o dia todo com os braços tocando no monitor. Imagina trabalhar comendo um pastel?? Putz. Não sei se rola.

2. Reconhecimento de voz: Ao invés de levar o mouse até o “File”, clicar, levar o mouse até o “Salvar” e então clicar você poderia dizer: Salva! Parece bom né? Isso se não pensarmos que trabalhamos geramente com mais umas 10 pessoas numa sala e nos sentiriamos todos os dias num telemarketing. Fora isso tem aqueles problemas do tipo você estar arrumando arquivos e alguém pergunta o que fazer com o resto da pizza do meio dia e você responde em voz alta: “Põe na lixeira!” – Lá se foram seus arquivos.
3. Alguma espécie de reconhecimento mental – Você pensa em abrir um arquivo, lá está ele se abrindo. Pensa em pintar de vermelho, não azul.. mais claro.. isso. Seria demais! Porém imagina o que não passa na cabeça do pessoal enquanto trabalha. Cada vez que a nova estagiária passa, abre o browser no site da Playboy em 5 computadores na sequência. Impossível trabalhar assim!!
Existem muitos caminhos para seguir e acho que não haverá apenas um e sim vários. Assim como não teria com o datilógrafo e o arquiteto trabalhar há alguns anos atrás com o mesmo equipamento, o nosso futuro é termos múltiplas interfaces e todas respeitando mais a ergonomia e os sentidos que vão além da visão e tato. Talvez a mistura disso com o software crie um novo produto (meio soft/hard) que faça sentido comprar uma licensa original, pois afinal de contas você estaria recebendo uma nova ferramenta física que lhe possibilitaria ir além no seu trabalho.
Para concluir, deixo a minha satisfação de saber que fiz parte da geração que viu o mouse nascer e que verá ele morrer. É uma questão de tempo.
Nota do Editor:
Texto-cabeça bacanudo do iluminado Gustavo “Gripe” Rodrigues.
Este é um post colaborativo. Se você tem uma idéia, descoberta, visionagem manda pra cá que a gente publica com créditos pra você.
Texto-cabeça bacanudo do iluminado Gustavo “Gripe” Rodrigues.
Este é um post colaborativo. Se você tem uma idéia, descoberta, visionagem manda pra cá que a gente publica com créditos pra você.










September 29th, 2008 at 12:03 pm
Geniais as observações dos pesquisadores marcianos. Mandou bem, Gripe.
Porém, as sugestões não são necessariamente relacionadas com a interface, mas no modo como o usuário interage com ela.
A verdade é que a metáfora da mesa de trabalho, arquivos e documentos já não comporta todas as possibilidades de interação geradas pelas novas tecnologias.
Existem outras metáforas de interface disponíveis, mas ainda muito obscuras em sua difusão. Obviamente, a proliferação dessas novas metáforas está muito mais ligado a estratégias mercadológicas do que de usabilidade.
Se isso não fosse verdade, usaríamos o teclado Dvorak ao invés do QWERTY.
September 29th, 2008 at 5:06 pm
Massa o texto. O nosso relacionamento com os PCs é muito arcaico… e enquanto o poder da máquina aumentou 20x, a interface ficou praticamente parada no tempo.
O que eu acredito em termos de futuro de interface são dispositivos mutáveis, que se adaptem ao seu usuário de acordo com cada software/tarefa.